Seja um chefe-didático

Muito se fala e escreve – são muitos textos – sobre os tipos de chefes existentes no mercado. Mas pouco falamos sobre que tipo de chefe você pode/deve ser: um que eu sempre vou admirar muito – e que quando tenho oportunidade, sou: o chefe-didático.

O chefe-didático tem todas as boas características que o mercado exige: conhece a sua equipe, tem noção de gestão, estabelece prazos bons e dentro do que se espera, sabe delegar tarefas, discute em grupo suas decisões. Uns chamam de chefe liberal/democrático, eu gosto de chamá-los de chefes-didáticos: eles estão dispostos a serem professores do seu profissionalismo. Eles se importam com sua conduta e querem que você aprenda não só suas funções reais dentro da empresa, mas acima de tudo estabelecer na sua vida um degrau importante para sua evolução profissional. São aqueles chefes que sabem, sem medo, que futuramente você poderá inclusive ficar no lugar deles, temporário ou definitivamente.

Eles estão dispostos a serem professores do seu profissionalismo

Um chefe-didático percebe que, para delegar as funções, precisa do conhecimento geral de cada uma. E principalmente entende a capacidade de cada um de seus funcionários para isso. Numa redação de revista, por exemplo, você não pode pedir para um fotógrafo, que nunca escreveu uma matéria, ir para um evento e “voltar com umas aspas” (jargão no jornalismo para uso de declarações de personagens num texto). Ele não vai saber ter o approach para isso. Mas, um chefe-didático, percebendo que seu fotógrafo tem abertura e gostaria de ampliar seus conhecimentos na área, poderá ser um bom professor e explicar como proceder.

Ele tem prazer em perceber que seu conhecimento poderá ajudar o outro

O chefe-didático sabe manter o diálogo. Quando um funcionário tem uma dúvida sobre o assunto, ele vai explicar, ensinar sobre aquilo. Ele tem prazer em perceber que seu conhecimento poderá ajudar o outro e terá mais ainda em ver, num futuro, que tudo deu certo por aquela ajuda. Um chefe-didático, percebendo um erro que você faça, o chamará e, ao invés de apenas reclamar sobre o deslize e pedir para refazer, explicará como proceder de forma correta, apontará os erros e ensinará como não cometê-los novamente.

Alguns amigos discutem muito comigo sobre isso, quando falamos de superiores que conseguem passar e ensinar com clareza sobre como devemos levar nossa vida profissional. Isso é importante principalmente para a empresa: lembrem-se, o funcionário pode ter o melhor currículo do mundo e ainda ser uma pedra bruta. Lapide-o e veja o quanto ele pode crescer pra você, pra sua marca, pro mercado. Um funcionário que é lapidado e reconhece isso, será leal àquele que o ajudou e poderá ser mais um chefe-didático no futuro.

Rinaldo Zirrah
rinaldow@gmail.com

Comunicação, design, arte, cultura e branding