Informação, participação e verdade: a Geração Z e sua marca

Estive numa fast-fashion estes dias a procurar um novo par de calças. Estava a olhar as peças e me deparei com um grupo de 5 jovens – dois meninos e três meninas –, na casa dos 19-20 anos, que estavam a observar e testar todos os produtos possíveis e impossíveis do local. Chegava a ser curioso, pois poderia até ser uma cena de algum anúncio, tamanha a maestria da fala entre eles e também como se comportavam em grupo.

Dado certo momento, uma das meninas puxou uma vendedora e perguntou se no local havia alguma parede ou “canto” para poder tirar fotos com as peças e mandar pro grupo de amigas para ajudarem a escolher o “look” que ela queria comprar. “Não temos, mas quer que eu tire uma foto?” disse a vendedora. Ficaram um tempo ali se divertindo, e eu só a observar. Desisti das calças que queria ver e fiquei de “Sherlock Holmes” com o grupo.

Era muito interessante perceber a agilidade daqueles jovens. Eles não eram apenas conectados, eram ultraconectados. Não saíam do telemóvel e mesmo assim estavam bem atentos com tudo que estava ao redor. O tal grupo pegou algumas peças e seguiu para o caixa. Três pagaram com cartões de débito e dois com dinheiro pois “não tinha MB Way” (modalidade de pagamento via telemóvel).

Depois daquelas cenas, fiquei pensando sobre como, realmente, as marcas que lidam com este público precisam estar up to date 24/7 sobre o que está a acontecer. Em tudo: tecnologia, sociedade, meio ambiente, saúde. A Geração Z, com os nascidos em meados dos anos 1990 e começo de 2000,  chega como um raio: velozes e eletrizantes. São ávidos por experiências. E já são uma força econômica que precisa ser considerada. Em 2020 eles já podem se tornar a maior geração de consumidores de todos os tempos. E eles têm tido papeis importantes – inclusive de consideração/decisão – dentro dos lares com seus pais/responsáveis.

Deixo aqui alguns insights que podem ajudar o seu negócio e sua marca:

INFORMAÇÕES SÃO UM MUST HAVE

Esta geração quer mais informações sobre os produtos online. Eles querem saber tudo sobre o que estão a comprar. Se você tem um e-commerce, deixe de lado a preguiça de preencher informações sobre o produto e faça isso já. Se tem um time de conteúdo, já sabe: capriche também nas redações. Textos intimistas e que falem diretamente com o consumidor são interessantes e podem aumentar seu engajamento.

Seu produto tem 4 cores e no site só tem uma? Errado. Coloque todas as disponíveis. Deixe o cliente Z saber todas as opções, mesmo que no online não esteja disponível no momento. Aliás, eles adoram saber que existe um leque de opções. A ideia de poder gastar um tempo escolhendo é um “drama-moderno” que eles adoram.

Em tempo: se informação é importante, imagina seu SEO com um público que busca absolutamente tudo na internet…Nem preciso comentar, né?

PARTICIPAÇÕES SÃO EXPERIÊNCIAS IMPORTANTES

A Geração Z busca mais experiências nas suas compras. Em pesquisa feita pela IBM, a maioria dos entrevistados apontou o desejo de poder participar mais de ações de marketing – e até mesmo na elaboração de novos produtos. Quarenta e quatro porcento dizem estar interessados em colaborar em projetos de produtos, 42% disseram que participariam de um jogo online para campanhas de marcas, 38% compareceriam a um evento patrocinado por uma marca e 36% criariam conteúdo digital para uma marca. A palavra-chave para este grupo é a colaboração e interação. É a ideia de construção. Marcas que estão a investir em mais pesquisas com grupos-foco tendem a entregar melhores comunicações e produtos mais focados no consumidor.

ELES QUEREM MAIS VERDADE

Ainda dentro do assunto de “mais informação”, também é perceptível que este público busca também marcas que sejam mais verdadeiras – e que suas estratégias com influencers possam mostrar isso de maneira mais real.

Eles esperam que as marcas mostrem mais credibilidade – e que também possam ter uma causa. Hoje é muito comum termos debates sobre esta nova (re)formulação de públicos-alvo. Existem materiais – um tanto quanto polêmicos – que dizem que o a era da definição de público-alvo acabou. Prova disso é o que a Geração Z faz nas redes. Eles podem amar uma marca por seu posicionamento e nem por isso são consumidores dos produtos dela. Eles consomem o estilo de vida e posicionamento das marcas. Parece confuso, mas, não se esqueça: estamos na era da informação.


Photo by Malte Wingen on Unsplash

Rinaldo Zirrah
rinaldow@gmail.com

Comunicação, design, arte, cultura e branding