Para cima

“Jogar nas onze” não é um defeito

Desde que saí do meu último trabalho, fui em três reuniões muito proveitosas. Em todas elas os diretores e recrutadores foram unânimes: estavam procurando um profissional versátil e com postura colaborativa em diversas áreas. Sou de comunicação e percebo que, cada vez mais, este tipo de perfil começa a – finalmente – tomar um destaque maior nas empresas.

Mas nem sempre foi assim: durante muito tempo eu “sofri” sendo um rapaz que joga nas onze. Lembro-me como se fosse hoje meu primeiro teste vocacional, aos 17 anos. Tinha acabado de sair do colégio e, num papo com uma profissional, que até então deveria me “guiar”, voltei para casa cabisbaixo pois, segundo ela, eu deveria “ter foco” em alguma área. Ora bolas: eu era um garoto recém-formado e que tinha paixão por coisas distintas: gostava de moda, arte, design e de escrever. Queria poder trabalhar com imagens, mas ao mesmo tempo a coisa “mais cabeça” (estratégia/planejamento) também me atraía.

Os anos se passaram e muitas foram as vezes que ouvi um “nossa, você não se sente incomodado de não ter um foco na carreira?”. As pessoas me fizeram crer que eu estava perdido e, com isso, me sentia um péssimo profissional. Mas hoje eu tenho a resposta: não. E descobri que ser essa peça versátil é um ponto decisivo dentro do mercado.

Quando você é um profissional versátil dentro de sua empresa, você consegue debater com amplitude sobre as ações e soluções para um problema. Você consegue adquirir experiências diferentes e, com isso, sabe potencializar/focar no momento certo para cada uma delas. Um posicionamento mais rígido, por vezes, pode atrapalhar na busca de outros horizontes.

“Jogar nas onze” é, acima de tudo, estar antenado com o que acontece. Quantas vezes você foi numa reunião e poderia ter falado muito mais, ter dado muito mais ideias, só que se calou porque você cresceu com a cultura empresarial de que “se não é da sua área, não opine”? E quantos são os chefes e recrutadores que não percebem isso, deixando escapar visões que poderiam ter elevado o nível de debate sobre um assunto?

Você pode ter acabado de entrar no mercado ou pode ser um “jovem senhor” que já passou dos trinta: não tenha vergonha de não ter esse foco que tanto pedem. Se você se sente multidisciplinar, mostre. Seja um maker e faça o mercado perceber que somos um novo time pronto para qualquer demanda.

Escrito por

Carioca, publicitário e um entusiasta das artes :)

rinaldow@gmail.com